segunda-feira, 18 de janeiro de 2010


Morre lentamente quem nao viaja, quem nao le, quem nao ouve musica,

quem nao encontra graca em si mesmo.

Morre lentamente quem destroi o seu amor-proprio, quem nao se deixa

ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do habito, repetindo

todos os dias os mesmos trajectos, quem nao muda de marca, não se

arrisca a vestir uma nova cor ou nao conversa com quem não conhece.


Morre lentamente quem faz da televisao o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixao, quem prefere o negro sobre

o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho

de emocões, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos

dos bocejos, coracões aos tropecos e sentimentos.

Morre lentamente quem nao vira a mesa quando esta infeliz com o seu

trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atras de um

sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos

conselhos sensatos.

Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de inicia-lo, não

pergunta sobre um assunto que desconhece ou nao responde quando

lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo

exige um esforco muito maior que o simples facto de respirar.

Somente a perseverançaa fará com que conquistemos um estagio

esplendido de felicidade.


Pablo Neruda

1 comentário:

Luís Nascimento disse...

www.emma-actividades-musicais.pt