quarta-feira, 1 de abril de 2009

"Vai onde te leva o coração"


É natural cometer erros, partir sem os ter compreendido é que torna inútil o sentido de uma vida. As coisas que nos acontecem nunca são definitivas, gratuitas, cada encontro, cada pequeno acontecimento tem um significado, a compreensão de nós mesmos nasce da disponibilidade para os aceitar, da capacidade de mudar de direcção a qualquer momento, de deixar a pele antiga, como as lagartixas...


“A infância e a velhice são muito semelhantes. Em ambos os casos por motivos diferentes, é-se bastante inerme. Ainda não - ou já não - se toma parte activa na vida e isso permite uma sensibilidade sem esquemas, aberta.”
“Deve ser assim, disse então para comigo, quando se é jovem, é-se carnívoro, e quando se é velho, herbívoro.”
“O que me impressionava não era bem a promiscuidade, mas o grande empobrecimento dos sentimentos. Com o fim das proibições e da unicidade da pessoa, desaparecera também a paixão. A Ilaria e as amigas pareciam-me daquelas pessoas que, muito constipadas, são convidadas para um banquete e que, por educação, comem tudo o que lhes é oferecido sem o saborearem: para elas, as cenouras, o assado e os coscorões tinham o mesmo sabor.”
“Ainda não há muito tempo, li, já não sei onde, esta máxima dos Índios da América: «Antes de julgares uma pessoa, caminha durante três luas com os seus mocassins». Agradou-me tanto que, para não me esquecer, copiei-a para o bloco que está ao pé do telefone.”
“E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não te metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te e vai para onde ele te levar.”


in: Vai onde te leva o Coração, Susanna Tamaro

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